quarta-feira, 2 de maio de 2012

POESIA: O dono da minha cabeça de Eduardo Brechó


Nome da poesia: O dono da minha cabeça
Autor: Eduardo Brechó

Sou a guerra e o sangue que escorre.
E que jorra do burro que berra
Sou o fio da navalha que corre
O pescoço corrupto que erra
Sou a enxada, a foice e a serra.
A que o mundo do ofício recorre
Artifício do homem que aberra
E transforma e não há o que se aforre
Sou a alívio da peça que emperra
E a pá que soterra o que morre
Sou quem urra do alto da serra
Finisterra, horizonte na torre
Sou caminho que a vista não encerra
Sou quem varre e espirra o que aborre

Fundido àquele que vai,
Meu pai sou eu
Soldado àquele que vai
Meu pai sou eu.

O dono da minha cabeça é aquele que decepa
A força de Ogun me socorre,
O ferro forjado da terra

Curo a birra do rei com uma surra
Sou o bando que acirra algazarra
Quem lhe agarra, lhe amarra e lhe curra
Toco o sarro que empurra fanfarra
Sou quem quebra o seu jarro de barro
Sou quem narra o desforro na zorra
Sou quem mata o cachorro de carro
Cadeado que cerra a masmorra

Sou corrente, correia, engrenagem
Sou barragem, sou correnteza
Fortaleza do povo em viagem
Sou coragem pra ataque e defesa

Fundido àquele que vai,
Meu pai sou eu
Soldado àquele que vai
Meu pai sou eu.

O dono da minha cabeça é aquele que decepa
A força de Ogun me socorre,
O ferro forjado da terra

Nenhum comentário:

Postar um comentário