A poesia chegou muito cedo, mas demorou a me pegar.
Minha vó durante muito tempo escreveu poesias, acrônimos e essas coisas em cadernos e recitava para nós ou dava de presente nas festas de família.
Minha mãe lia muitos livros de poetas e tinha amigas e amigos poetas, mas aquilo era muito distante de mim. A linguagem não me fazia sentido.
Então por mais que estivesse na minha vida, ela tava meio distante. Só quando veio a pandemia que eu realmente senti a necessidade de escrever pra organizar meus sentimentos e aí veio o PJMC onde conheci saraus e slams, e realmente comecei a escrever e expor, pois encontrei a literatura periférica, que foi onde me reconheci.
Como você era antes da poesia?
- Acho que sempre fiz poesia, para além dos textos, mas eu guardava demais as minhas emoções e explodia em crises de borderline, tinha muito medo de expor uma série de coisas sobre o que eu pensava e como via o mundo. E por “conhecer” vários poetas, tinha muito medo de expor o que eu escrevia e não ser considerado poesia pois até então eu não conhecia ninguém que fazia poesia com o meu jeito de escrever e sobre o que eu queria escrever.
Quem é você depois da poesia?
- Uma pessoa que entendeu a força das palavras e o quanto é importante expressarmos o que sentimos e como entendemos o mundo e a vida. Hoje eu tenho segurança de expor como me sinto e o que penso, mesmo que isso já tenha sido distorcido e mal interpretado, mas vejo a importância de escrevermos para nos organizarmos mental e emocionalmente, mesmo sem expor. Acho que o palco não é uma necessidade para fazer poesia, tenho zero pretensões de ser artista e entendi que sou poesia pura. Ela escorre por mim e de mim!
Sobre ter fé - 25/07/23.
Me questionaram se eu só sabia escrever sobre putaria e desamor
Mas é que é mais fácil explanar que sou cadela de macho que assumir que viver nem sempre é fácil
E pode não parecer, mas eu sou tímida. E hoje vou aproveitar que tamo só entre nois pra deixar vocês me conhecerem.
E nem é sobre me apresentar
É sobre escancarar
Oi, eu não só me chamo, como sou a Monique.
De nascença Monique Hellen Alves da Silva.
Já fui Mick e Demoniaque
Pra alguns fui Nique
Sempre fui Mo e isso fazia confusão quando não era eu sendo chamada de amor
As vezes estou Ana Paula
As vezes estou Monikellen
Mas tenho gostado e preferido de ser Momo.
Nasci e cresci dentro de um núcleo onde eu pude exercer a minha liberdade religiosa.
Cresci falando Nam-Myo-Ho-Ren-Ge-Kyo
E mesmo sem entender
Fazia meu coração bater.
Nas férias ouvia os cantos de Jeová mas não sentia meu coração mudar e eu achava estranho aquele núcleo “familiar”
Onde tudo é proibido e é absurdo questionar
Mas curtia dormir com a Bíblia embaixo do travesseiro, livro de fantasias cheio de história de analogia! Muito maneiro!
Parei de crescer e finalmente entendi a filosofia do sutra de lótus, posso dizer mesmo que compreendi, pois despertou conhecimentos apenas adormecidos dentro de mim.
Achei a Felicidade e a Coragem em Diálogos com a Juventude é só então entendi que aquilo já tava em aqui
Literalmente tatuado
Compreendi a trindade da Fé, Prática e Estudo e a diferença de filosofia e religião
Entendi o que é multiplicar o pão
E analogias é só uma tradução pra fazer sentido e conexão
Compreendi o humanismo por uma era de paz
Compreendi o Karma e que privilégio ter nascido no meio de mulheres com karmas tão fortes que me ajudaram a entender o meu
Daniel Minchoni é poeta, editor e slammer nascido em São Paulo (SP), onde viveu até os 17 anos. Em 1997, mudou-se para o Nordeste, onde iniciou sua carreira na poesia oral, participando de projetos como a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN e Poesia Esporte Clube, e foi um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Em 2006, retornou para a capital paulista e hoje se dedica a novos projetos, como o Sarau do Burro (criado em 2008 e onde é editor do selo Doburro) e o Menor Slam do Mundo (apresentado desde 2012). Foi professor de Poesia expandida, performance e voz na Casa das Rosas entre 2018 e 2022 e é professor formador do Slam Interescolar.
Como a poesia chegou na sua vida?
viver ainda vai me matar.
viver é uma benesse.
um biscoito da sorte recheio stress.
viver é travessia irregular que se desvia para fora de ser e de lugar
não é causa nem efeito e pra travessia não há jeito.
atravessar é fatal
só há um leito de lama e lodo no final
caí nessa travessia
sequer me perguntaram se eu queria
e de repente me vem poesia
querendo correr uma maratona por dia
tico e teco
tico e teco
tic e tac
tic e tac
tique e toc
tic e tac
‘tic tac o tempo vai passando e a gente aqui sentado no banquinho conversando’
viver ainda vai me matar.
viver é uma benesse.
um biscoito da sorte recheio stress.
viver é travessia irregular que se desvia para fora de ser e de lugar
não é causa nem efeito e pra travessia não há jeito.
atravessar é fatal
só há um leito de lama e lodo no final
caí nessa travessia
sequer me perguntaram se eu queria
e de repente me vem poesia
querendo correr uma maratona por dia
não sei o que me quer a poesia,
essa mulher que me fantasia e me consome
só sei que ela está a me levar e não sei o lugar onde ela se esconde
e se a sinto roçar
quando vou olhar ela já me some
esqueço até meu nome
é minha menina levada, danada,
estou sempre a perguntar sua morada
e ela me diz
muito maleducada:
não te direi
pois devo te lembrar
que és apenas um rapaz
um aprendiz
de mim
não sabes nada
eita poesia danada
(João Xavier)
Como você era antes da poesia?
Eu vivia isolado do mundo
Quando eu era vagabundo
Sem ter um amor
Hoje em dia eu me regenerei
Sou um chefe de família
Da mulher que eu amei
Linda, linda, linda, linda
Linda como um querubim
É formosa, cheirosa vaidosa
A rosa do meu jardim
Se tu fores na Portela
Gente humilde, gente pobre
Que traz o samba nas veias
O samba de gente nobre
Mas ela não sabe
Não sabe compadre, o que perdeu
Um amor sincero e puro
De um escuro igual ao meu
Se ela soubesse
Que o peito padece com a solidão
Não me negava seus beijos
E me dava o seu perdão
Alcides Lopes
Quem é você depois da poesia?
Minha cabeça passeia
passada passareia
me arrisco
caminho em frente a tua casa
castanha
pra ver se chamo o brilho do teus olhos
todas as volta do mundo são pra você
plano contínuo sequência
mais ou menos
saúdo tudo que te é, sagrada
eixo de rotação da minha lira
mar e sal, medo e som
sal e som
quando você gira e pira
eu beiro o piripaque
seu ritmo explode feito um atabaque
meu peito dissoa, destoa, passando mal
fora de tempo te fotografo
fora de foco
um retrato do meu desespero
seus olhos no espelho
pintados fechados rasgados
me falta luz
te sobra brilho, glitter, carnaval
te sobra esplendor
portanto quando você chega, esguia
me falta o ar
o argumento natural
me falta
minha cabeça fica a toa
rouba a brisa come a lombra
meu pensamento é sombra
da sua árvore
maçã
júpiter e saturno é teu signo
você tão gasosa me escapa
mas me sai, tão carma
o meu, romeu
tento manter a missão
mas não posso
Minha cabeça de grua
faz cinema em tua rua
na hora que a lua se afasta
e você chega, quasiquibêba,
reluzente, brilhante e feliz
depois de uma puta noitada
café quente no bule
te espera o sorriso
como quem espera mais nada
um quase pôr do sol chapado
em meu araripe
que terminou mais cedo
mas não deu, não foi
caçando assuntos pelos cafés da rua
você ainda traz um desenho
mais completo da vida no bairro
um jeito meio errado de preferir pão na chapa da padaria da esquina
do que uma fruta no prato
no quarto quentinho
como quem diz que a vida passeia
e passareia
com os desenhos descalços dos teus pés
solas em todas calçadas
e a passarada assovia
e cada vez que tu encara
eles desviam olhar
que de fronte nem eu nem ninguém tem coragem
porque tudo se move ácido
como fosse mole, movediço
e é só o desejo de tornar
qualquer caminhada tediosa
numa tela do dali.
você ainda jovem,
pintando e pintada.
bonita pacaramba
e eu perdido pra variar.
mas ando pelo centro antigo
como quem esgueira
e só por brincadeira,
virado no jiraya e
na madrugada vejo
desenhos grandes
bonitos de vida.
uma briga virada
cheia de machões e sarados
antes do cavaquinho do nelson tocar
o catador de latinhas
com sua vara pescando
na caçamba de recicláveis sustentos
se abraça com o fortão briguento
ambos assim como eu
só querem carinho
é só querência e carentena
o artista que cruza o descuido
e constrói sua obra de protesto
naquilo que destrói do mais desprovido
o propósito
a água bebe a onça
o outro catador que encontra ouro de latinhas jogado no chão quase emocionado querendo juntar tudo sem que ninguém encontre divisão
A poesia chegou na minha vida através da aula de português, com professor Acácio, na escola Alberto Conte que foi onde fiz o ensino médio. Ele chegou recitando Racionais. Eu sempre me interessei muito em ler, era algo que meu irmão especificamente, sempre me incentivou muito a fazer , então eu já tinha cruzado a poesia antes. Mas ela chegou mesmo na minha vida a partir desse dia. Foi no 1° ano do ensino médio.
Como você era antes da poesia?
Antes da poesia eu era alguém que amava admirar quem fazia qualquer tipo ou forma de arte. Sempre foi algo que gostei muito em ouvir/ver. Transitava bastante em atividades culturais aonde dava. Música, desenho, pintura, artesanato, teatro.
Quem é você depois da poesia?
A poesia foi onde eu encontrei um lugar íntimo, onde tudo era válido, falar abertamente (ou não tanto assim) sobre qualquer assunto que se instalasse nos meus pensamentos, no meu corpo ou no meu coração. Foi também o "universo" que me fez conhecer muitas pessoas que hoje, não me vejo sem. Amigas e amigos também apaixonados pela palavra e pela escrita e que, todos convivem muito bem e ensinam muito sobre o que é estar e ser coletivo. A poesia me molda, me educa constantemente. Depois da poesia eu me tornei alguém que se permite pensar e refletir melhor sobre as situações e modos de viver e de conviver.
Os Que Nunca Foram Achados
Hoje faz parte de um dos dias da primavera.
Mas olha só, vou te contar um segredo
Se é que já não sabe
As marcas de gotas escuras no chão, dessa vez não são dos pés de amora
Mas talvez tenha a ver com os meninos
Sim, os meninos que pegavam as amoras
Os meninos não estavam lá também, afinal, não tinha amoras naquele dia
Fiquei me perguntando onde estavam
O que faziam
Já não era hora da escola e não estavam em suas casas
As casas eram assustadoras demais para estarem antes que suas mães brigassem para que voltassem por estar tarde demais
Mas isso, quando tinham mães
Ou quando as mães podiam estar em suas casas a noite pra notarem que os meninos, ainda não estavam lá
Parecia que também não estavam nas ruas
Assim, como dizem… Brincando, correndo…
Só se estivessem brincando talvez de pique-esconde
Na quebrada é bom, tem muito lugar escondido pra se esconder
Dá certo, se nem o Estado achou, é lá que devem estar
Mas ainda não sei
Acho que talvez não estejam brincando
Eu sei, porquê, aos 16 eu também já não brincava mais dessas coisas
Mas talvez, pode ser que esqueceram de sair
É… Talvez, tenham entrado nesses lugares aos 10, aos 9, talvez aos 12 e queriam ser os últimos a serem achados
E daí ficaram lá, se mantiveram por lá
Porque se saíssem, sabiam que não iam ganhar
O lugar do pique era muito longe e o pegador estava ao lado do pique, guardando caixão
O pegador o tempo todo vigilante
É, com certeza estão escondidos nos lugares escondidos que nem o Estado achou.
E daí, eles tiveram que entreter o tempo porque ainda, mesmo escondidos, ainda sentem fome, sentem sede, sentem dores, sentem sono, muito sono
E um dia, de tanto sono, dormiram
E acordaram no susto
Porque quem achou não foi o pegador
Foram os homens do estado
Entraram no lugar errado, pegaram os meninos errados
E quem pegou não foi a mão, mas era uma bala
Só que essa não era nenhum pouco doce
É que o Estado descobriu o lugar escondido
Que tanto que pediam pra achar
Que tanto pediam pra olhar
Que tanto pediram pra melhorar
Nesse dia eles acharam
Mas acharam os meninos errados.
Acharam os meninos desconcertados pelo descaso desajustado que eles decidiram esquecer
Poucos minutos antes, os meninos lembraram porque se esconderam e ficaram sem reação
É que o pegador, eram os homens do estado
Mas no dia seguinte, a gente sabe quem foi que guardou o caixão.
Na época de escola, lendo alguns livros e também num caderno de versos que minha prima tinha. Me encantava os sons das palavras parecidos a cada final de linha. E a escrita veio também em época de escola, ali no ensino médio, comecei a rabiscar algumas coisas. E a primeira vez num sarau e declamando foi num cursinho pré vestibular, uma poesia que escrevi ali na hora e foi uma sensação boa de estar onde deveria estar.
Como você era antes da poesia?
Um maninho de periferia, que gostava de jogar bola, entre outras coisas da época, e nessa fase escolar gostava de aprender, gostava de ler, gostava de estudar. Ainda não tinha noção do que era a poesia e como ela faria parte de mim e como poderia ver o mundo de outra forma.
Quem é você depois da poesia?
Alguém que sabe da importância de escrever. Se expressar através das palavras, sejam elas rimadas ou não. E quando se propõe a ir além do seu mundo particular, quando compartilha seus versos com o mundo
entender que pode tanto tocar como afetar as pessoas de alguma forma, seja positiva ou negativa. Não se censurar. Mas saber que mesmo no sentir, se compartilhado há uma responsabilidade ali, um cuidado. Tempo é algo muito precioso, se quer que alguém dedique tempo de vida pra te ler ou ouvir, há uma responsabilidade ali. É traduzir pensamentos e sentimentos em versos.
Eu componho antes de ler um livro de poesias, porém me lembro que, no caso da poesia enquanto estrutura de texto literário, havia em casa uma antologia poética da Cecília Meireles (que fui conseguir ler e entender o conteúdo bem depois de fazer minha primeira letra da música), e também por meio das aulas de português com análises de letras de músicas brasileiras da época da ditadura militar, por exemplo.
Como você era antes da poesia?
Antes de ser uma pessoa que declama e canta minha poesia, eu era uma pessoa com depressão, com muita dificuldade em pertencer ou de sentir sentimentos de acolhimento. quando passo a expressar publicamente minha composição, até então discreta, me reconecto com o que entendo de mais belo e ancestral na minha vivência.
Créditos da foto Nereu Jr.
Quem é você depois da poesia?
Segundo Nego Bispo, não há fim, e sim começo meio e começo, daí que entendo que a poesia vive em mim um durante. Então sou com ela. E durante minha poesia, sou verdadeira, confiante e em êxtase da dignidade que acontece quando estou em performance. Minha composição pede dignidade, logo cantá-la é sempre uma realização.
A Poesia chegou em mim através do Sarau do Capão e, a partir dali, eu entendi que o que eu escrevia era algo. E criado uma certa coragem para expressar aquilo de forma falada, eu já escrevia como forma de refúgio, pois amigos já haviam me falado muito sobre desenvolver e ir para além da escrita com aqueles desabafos; mas eu ainda não frequentava tantos espaços. Após frequentar o Sarau da ponte pra cá e o Sarau do Capão conheci o Slam do 13 e mergulhei na cena do Slam. Entretanto não busco ser uma competidora em si, porque acredito em potencializar poetas em espaços maiores tendo o devido reconhecimento e fomentos necessários para a cena crescer.
Como você era antes da poesia?
Bom! Eu era uma adolescente bem perdidona, querendo ser algo que já eram em vez de ser eu mesma.
Quem é você depois da poesia?
Hoje eu busco sempre ter minha personalidade regada, buscando sempre fazer diferente e trazer isso muitas vezes por meio da oralidade.
Poesia
Pretona Dengosa
Eu sei é mow fita como as coisas rolam e acontecem
E de verdade
Jamais achei que hoje estaria assim
Não é só sobre forma que estou
De ter auto estima ou orgulho
Até por que isso a 10 anos atrás era impossível
Desacreditava de qualquer possibilidade
De me achar bonita
De me achar desejável
De achar que
Pessoas poderiam gostar até mesmo da minha personalidade
E eu era modelo parsa
E é foda porque é onde você vê
Que o padrão de beleza não é você
E o que faz com a mente de pessoas negras
É só outra armadilha
tu pisa, te machuca mas tu não consegue sair
Eu não só me via longe daquilo
Longe do “perfeito”
Mas longe de encontrar o básico
De ter uma casa
De ter carinho
De ter meu sustento
De ter respeito
Eu Nem queria ser algo
Quando eu perdi a virgindade por exemplo
Não foi algo que eu quis fazer
E que eu sentir prazer com isso
Foi algo que tiraram de mim
Mesmo depois de eu falar “não quero fazer isso”
Pensar que isso poderia ser um gostar
Não um estupro como fica mais nítido a cada dia
E Chegar a voltar
A pensar que se ele quer eu tenho que aproveitar
Pois ninguém mais vai querer
Neguinha preta ? Difícil alguém ver beleza
Como é que eu iria ver?
Se Entende esse lugar ?
Não existe outra possibilidade além daquela
Então aceite !
Por mais horrível que você se sinta, por mais dor que você sustente
As vezes é só isso que se merece
Claro que
O que eu deseja tava longe do que eu queria
Ou longe de me desejar
Mas eles sabiam que existia sim
A Beleza
Eai teve o momento
Que o que eu queria me quis também
E Nesse mesmo sentido de desejo
Eu me entreguei
Entreguei tudo achando que seria o suficiente
Que renderia algo bom
Tudo que ele queria eu dava
E eu só dei
Dei pra não receber nada
Dei tanto que esqueci que eu era um ser aqui
Dei tanto que deixei de existir
Eu não só me perdi
Eu desisti
E desisti de ser digna do básico
Procurei durante muito tempo esse afeto na rua
Mesmo achando que não era pra mim
Eu demorei pra encontrar esse afeto que só vem de si mesmo
De encontrar beleza
De colocar limites nas relações pra não me defasar novamente
Mas encontrei perdido na trilha
Algo que ninguém mais poderia me dar
Só a natureza poderia fazer eu enxergar
O quanto cada detalhe em mim é importante
Onde além da beleza externa
Mas amar aquela parte do corpo que você detesta
E amar ela do jeitinho que ela é
Esse amor verdadeiro que não vem com beijo
Mas você pode sim
Se beijar
Esse amor que vem e fica impossível alguém conseguir tirar
Esse amor de verdade que faz com que você não aceite migalhas
Eu desejo ele pra ti mulher preta
Todo cuidado e carinho que esse amor pode proporcionar
Ele pode vir assim como achado que tu perdeu
E quando ele te encontrar faz grandes mudanças
Traz o conforto que tu pensou que perdeu
Desejo pra ti mulher
Esse amor
Esse desejo
Ama te até seu cheiro
Teu gosto
Teu gozo
Teu gemido
E assim tu se chamega e se ama
Encontrando e dando valor para quem te desejar para além da cama
Mauro Avoz, o Cocão, é um Raper da zona Sul de São Paulo, e um ouvinte aprendiz das letras cortantes do Rap nacional dos anos 1990. É autor do livro “Pra não dizer que não falei das ruas” e integrante do grupo de Rap Versão Popular.
Como a poesia chegou na sua vida?
A poesia chegou a mim, através do rap; mas nesse início eu não entendia que o Rap era, Ritmo e Poesia, com o tempo, por conhecer a Cooperifa e perceber a lírica entre muitos poetas que ali recitavam eu pude entender.
Como você era antes da poesia?
Na minha adolescência, antes da arte e pra ser mais preciso a poesia, eu não via muita esperança nas pessoas e muito menos na vida, a poesia chegou pra dar um rumo, uma estrada, um norte para meus sonhos e pensamentos.
Quem é você depois da poesia?
Creio que um cara mais observador, questionador, e com vontade e gana por trabalhar com a arte, também entendendo como é a vida na real.
De volta pra casa
Poema:
De Volta Pra Casa (Cocão Avoz)
Missão cumprida, baby, minha quebrada me espera
Amor ao rap, é os prédio, a semente é a terra
Antigas ruas em guerra, onde o respeito se eleva
Visto a camisa, vem vê, vozes que gritam por ela
Pelos parques sem flores, pelos versos e amores
Tudo de bom eu desejo, e que sumam as dores
Senhoras e senhores, poetas e cantores
O grafite e suas cores, o universo e os mentores
Em cada um o Dom, dançar conforme o som
De volta pra casa, eu me renovo sangue bom
Os bons amigos são, os que estão, estão
Sinceros, felizes, a esperar de prontidão
O amor de mãe, e também do pai
Eu sei o que eles sentem quando o seu filho vai
Em missão, em luta, mundo afora e sem ajuda
É a vida pelo sonho, e você sabe quando muda
A música, a rima, a palavra é auto estima
Por mais que vocês fuja, ela persegue, é a sina
Noite adentro é o clima, lágrimas na retina
Recordar é viver, a função de esquina
Mais de uma década, amém, vou no caminho do bem
Eu entendi, tô aqui, és uma história também
Eu vou levando a sério, desde o início sem cena
Nós já vivemos em crise, eu já cantei os problema, vai…
A poesia transforma com o poeta Michel Yakini
Uma pequena entrevista com poetas sobre o tema.
São apenas três perguntas e as respostas estão abaixo
+ Como a poesia surgiu na sua vida?
A poesia surgiu nas cantigas de coro e palmas dos terreiros de umbanda, no olhar atento da versação da capoeira, no ouvido atento das histórias do nego veio no buteco, e no incentivo da mulecada em escrever cartinhas de amor pras paquerinhas deles na escola
+ Como você era antes da poesia?
Um menino que revoava sonhos com um par de chuteira nas mãos, e que canalizava jogar ao lado de Amoroso, Djalminha no Guarani, fazer dupla de zaga com Juan no Flamengo. No meio disso, trampava na feira, no mercadinho, lombando escadas pra instalar telefone nas quebradas afora. Ah também era (e ainda sou) caminhante noturno.
+ Quem você é depois dela?
Continuo canalizando ser jogador de futebol e viajar o mundo (agora) com as asas da palavras. Hoje faz mais sentido conversar com o sol e a lua, do que fritar pelas injustiças do mundo, isso me deixa doente. Um copo de agua, bebido na moralzinha, me diz melhor o que fazer nesses caminhos de belas encruzilhadas. Dias atrás, não tinha expectativa de chegar nem aos 30 anos, então o que posso fazer de melhor hoje é agradecer
Como a poesia surgiu na sua vida?
A poesia surgiu com as rimas, eu não tinha amigos aos 6 anos, e daí aprendi rimar antes de aprender ler e escrever. Quando eu entrei na escola e aprendi ler e escrever comecei a conhecer melhor o som e tom das palavras e enriqueci o meu vocabulário. Quando eu tinha algum problema eu não conseguia desabafar com ninguém, nem na escola e nem em casa. E um dia vi um livro de poesias e vi que nas estrofes tinham os versos e os versos contia rimas. Daí eu trocava ideia comigo mesmo, a primeira estrofe rimando eu falava sobre os meus problemas, a segunda eu fingia que era alguém de fora e tentava resolver os meus problemas, e por aí vai. A poesia desde criança para mim é como se fosse um corte, não rasga a pele, mas você precisa ver como fica a nossa alma quando colocamos para fora todas as coisas boas e ruins que sentimos.
Quase fui jogador de futebol, e por necessidade tive que parar de estudar aos quinze para chegar no horário correto no clube que eu jogava, machuquei o meu joelho e o clube não quis pagar a minha cirurgia, dai tentei voltar a estudar, mas não consegui vaga em nenhuma escola do Grajaú. Só voltei a estudar com 21 anos, fazendo o EJA, a suplência. Lá, uma vez fui zoado por estar escrevendo poesias, daí levantei e falei uma poesia para todos, uns gostaram outros não, mas o importante foi o respeito. Conheci a que é hoje minha madrinha na arte, Maria Vilani, e ela me apresentou o centro de Arte e Promoção Social. Em uma roda de poesia mostrei meus textos, que chamou a atenção de um filósofo chamado Cesar Mendes da Costa, que tem uma editora no parque Sto Antonio e apostou em mim, publicando o meu primeiro livro, o "Felicidade Brasileira". O resto muitos ja sabem da história, surgiu o poeta Márcio Ricardo. +Como você era antes da poesia?
Acho que a poesia sempre foi o melhor dos ouvidos, no papel e caneta eu podia gritar, e falar e falar (escrever), que ninguém nunca iria me julgar, me cortar...
Porém o ser humano é muito invisível para a sociedade, e eu não era diferente. Quem você é depois dela?
Hoje eu sou amigo e conheço grandes escritoras e escritores, pessoas que me representam e representam os meus, os nossos. Pessoas que eu olho para o lado e digo: "Não tô só".
A poesia é um grito, e hoje eu agradeço tudo que sou e o que ainda posso ser graças a ela.
Pra quem nasceu dentro de uma viatura, sem forças para chorar, e depois ser adotado e passar por tudo que passei até hoje, é uma conquista poder escrever uns versos, e quando alguém me ouvi, é um pedaço do paraíso, e não digo que é por ego, e sim por merecimento de uma linga estrada de quase 28
anos.
+ Como a poesia surgiu na sua vida?
A poesia sempre esteve presente na minha vida seja pela curiosidade em folhear ainda na infância os livros de minha mãe, ouvir as histórias de minha avó materna e dos mais velhos, pela viagem e apreciação com as palavras e letras de músicas ou pela forma subjetiva de falar de mim mesma para outros já que sempre me neguei a partilhar minhas angústias. A poesia sempre esteve ali na minha fala e anunciava-se naturalmente em algumas conversas. Até o dia que por não partilhar minhas dores minha mãe disse escreve e depois rasga, mas eu nunca rasguei.
+ Como você era antes da poesia?
Eu era uma voz sufocada no peito, com muitos versos a fim de caminharem por aí. Eu era uma fuga de mim mesma e dos meus olhares sobre o mundo, pessoas e sentimentos. Eu era o que me negava ser, até que me rendi aos versos superando a dor e a timidez de escrevê-los e me permitindo conhecer o lado encantador, árduo, trabalhoso, mas indescritível , saboroso e libertador que é escrever, torna-se poesia.
+ Quem você é depois dela?
Há um micropoema meu que traduz exatamente esse sentimento. Do verso ela fez seu grito mais forte e a parte mais bonita de si. A poesia hoje é tudo em dia na minha vida. É ela que vêm regendo meu mundo, meus dias e caminhos desde 2014. Não há um passo que eu dê sem a magnifica presença de respira-la na minha vida, me descobrir uma mulher inteira, liberta e mais forte sem perder a delicadeza no grito dos versos. Hoje sou a professora-poeta, a organizadora de um sarau na minha cidade e de intervenções em sala de aula com saraus e uma das vozes que vêm ecoando fortemente pelo recôncavo baiano e convocando ao voo várias outras mulheres. Hoje eu sou o melhor de mim graças à poesia.
POESIA
Crespo
Nada de bombril!
Meu cabelo não é esponja de aço
É crespo, moço!!!
É crespo, moça !!!
Não custa falar
Aprenda a nomear, a respeitar
A minha diferença da sua
Os meus cachinhos miudinhos, enroladinhos
da raiz as pontas
Crescendo pro alto, volumoso e hidratado
Enquanto você fica aí o julgando de ressecado,
Apelidando de duro e descendo o esculacho
No jato d’água ela escorre e deixa meus cachinhos mais amostrados
Quando seca ele é pura beleza no estilo armado
Olhando no espelho, moço
Olhando no espelho, moça
Meu black reflete minha identidade
Mulher naturalmente bela
sem a necessidade constante
de uma maquiagem.
(Jacquinha Nogueira)
+ Como a poesia surgiu na sua vida?
A poesia surgiu em minha vida quando a muito tempo atrás o Binho me chamou pra um sarau que ele organizava ali no bar dele ao lado da antiga Uniban. Eu não tinha o hábito da escrita nem da leitura até então.
Fiz uma poesia do Sergio Vaz que aliás tbm não o conhecia. Ganhei uma camiseta de presente de um amigo Ronaldo o nome dele que tinha um poema do Sergio Vaz, recitei e dei os créditos ao autor e pra minha surpresa o Sergio estava lá e a partir daí ouvindo os poetas com seus poemas autorais despertou o interesse em compor tbm... nesse mesmo dia fui convidado pra conhecer o sarau da Cooperifa e não sai mais e escrevo desde então.
+ Como você era antes da poesia?
Antes da poesia eu levava a vida de uma forma totalmente diferente de hoje com certeza.
Taxista de ofício eu sempre ali no meu dia a dia nas idas e vindas, conversando com os amigos sobre política, futebol, trabalho, etc... com todo respeito eu era totalmente alienado, até porque não lia e só enxergava a um palmo de distância, eu não tinha noção de nada... ouvindo os poetas fiquei interessado em personagens que votavam em seus textos e fui pesquisar, conversar... hoje olhando antes da poesia da literatura eu vejo o quanto estava moscando, é tipo como se eu vivesse antes do fogo e depois do fogo... virada drástica.
Hoje qiestiono tudo, antes vinha tudo pronto e eu meio que aceitava...
+ Quem você é depois dela
Depois disso eu estou sempre procurando descobrir, questionando tudo, meus bates papos mudaram, já não abraço certas idéias que vem de todos os lados, de políticos, da imprensa escrita, televisiva, nas redes sociais etc.
Tenho sede por respostas até porque tenho muitas perguntas.
Mano mudou tudo, da água pro vinho é muito louco tudo isso, até acho que por conta dessa mudança minha postura mudou, essas coisas trazem mais responsabilidades, revolta, inquietude, quando você adquire certo discernimento sobre certas situações muda tudo.
Pra finalizar aqui vou reproduzir uma frase, um pensamento que ouvi do Sergio Vaz que aliás disse até de quem é esse pensamento mas não me lembro o nome do autor, é mais ou menos assim:
"NÃO QUERO ACREDITAR SÓ QUERO SABER"
Poesia
UM POEMA
Insônia loucura um delírio só meu
Insana a caneta desliza... Eu,
TE OFEREÇO UM POEMA...
TE OFEREÇO UM POEMA...
Um poema,
Rasga carne sangra dor brinda vida
cura amor
Tá na multidão que o rap arrasto
Na voz no furor que Racionais canto
Nas paginas dum livro que o poeta eternizo
Nas negras raízes no conto do grio
No canto sagrado que uma tribo entoo
É canta a liberdade pra quem tá confinado
No povo unido caminhando lado a lado
No raro d'javu loucura insensatez
Onde os forte sobrevive os fraco não tem vez
É o ser ou não ser... eis a questão
É respeitar a opção da irmã do irmão
Do jeito que quise bem me que mal me que
No drible na ginga no grito de olé
É pai filho pro espírito é santo
Nos muros becos em todos os cantos
No sorriso no pranto no trago no gole
Na dor no peso da ressaca do porre
Na escrita perdida num velho pergaminho
E agora José? São as pedras no caminho.
Insônia loucura um delírio só meu
Insana a caneta desliza... Eu,
TE OFEREÇO UM POEMA...
TE OFEREÇO UM POEMA
Na imensa solidão daquele na sargeta
Naquele rascunho esquecido na gaveta
Nas entrelinhas no subliminar
Nas metáforas que a vida não cansa de ensinar
No mistério da morte no enigma de marte
Num beijo roubado imitando a arte
Na frase sem crase no verso sem métrica
É Usa abusa da licença poética
Nóis fomo, nois vai, eu vi ela tanto faiz
Sem menos nem mais somos todos iguais
Na prosa a rima na trova o verso
Do nosso jeito simples complexo
Erudito popular entre o bem e o mal
La pra academia é um ser imortal
Aqui a poesia desfila no sarau
Cortejada por amantes etc e tal
Moro na moral é isso memo o papo é reto
Num mundo a parte é o nosso dialeto
A palavra escrita na canção que embala
Hey norma culta, se não entende!
Pisiu! Se cala.
Insônia loucura um delírio só meu
Insana a caneta desliza... Eu,
TE OFEREÇO UM POEMA
TE OFEREÇO UM POEMA
+ Como a poesia surgiu na sua vida?
Através do sarau OqueDizemOsUmbigos em 2009 e me apaixonei em escrever e acreditar no que escrevia através de Daniel Marques, que foi e é meu mestre da poesia. + Como você era antes da poesia?
Eu era apenas atriz, mas sentia que faltava algo no qual a poesia me completou
Era uma menina insegura e com medo de expor o que sentia
+ Quem você é depois dela?
Sou atriz, sou poeta, sou cenopoeta, desenvolvi um ciclo de oficina de poesia e cenopoesia, que é quase exclusivo, isso graças à 15 anos de teatro e 8 anos na poesia.
Viajei alguns países com meu trabalho de poesia.
Sou aquilo que sempre gostaria de ser
Vão
Ele se foi como uma faca afiada que por erro não pode cortar
Se foi em vão, deixou um vão em meu pensamento
Carregou cada pedaço de seu corpo que pousava em mim
Como um dia estranho, nada feliz, nada triste
ele se foi
E desta vez sem deixar a chave escondida no vasinho de flores.
Como eu gostaria que existisse e pudesse transferir o amor que tinha por você, pra primeira pessoa que passasse na rua
Perdi o amor que sempre desejei
Perdi a conchinha de madrugada
Perdi teus dedos frios no meu corpo quente
Tua língua macia desenhando meu corpo
Perdi teu cheiro
Perdi aquele olhar nas manhãs que fazíamos amor
Perdi
Mas ganhei
Ganhei minha voz perdida em teu julgamento
Ganhei a chave das algemas e que não florescia
Ganhei novos olhares
Ganhei muitos desejos
Ganhei a vida que queria ter tido com você
Ganhei eu, novamente
Ganhos e perdas que hoje me fazem entender a vida
Mas que eu posso escolher o que entra e sai deste ciclo sem fim
Como a poesia surgiu na sua vida?
Surgiu no Sarau da Cooperifa. Descobri o sarau em uma reportagem. Eu já me interessava por textos da literatura marginal conhecia autores de prosa e dramaturgia como Ferréz e Plínio Marcos, mas não conhecia nenhum poeta da qual tivesse me tocado profundamente. Como você era antes da poesia?
Eu frequentava outros círculos. Com a poesia passei a circular mais pela cidade, conheci muitas pessoas, fiz amizades e parcerias.
Quem você é depois dela?
Hoje me considero um artista depois do descobrimento da poesia. Uma pessoa que escreve poesia, que escuta poesia que lê poesia que pesquisa poesia. Não sou exclusivamente poeta, mas estou poeta e isto é grande. Blog http://emersonalcalde.blogspot.com
POESIA Dinonísio no Cu-rriculo
Na sala me embriago com as teorias de Aristóteles
No bar me concentro na lógica de cada gole
Um Engov. Ópis, ops, o telefone, meu irmão Karamazov
Fiquei imóvel como os personagens de Tchecov. Saio do balcão meio maria-mole
Nos corredores os autores ébrios escrevendo sobre o cereal killer com chá, granola, caipora, a espanhola corrobora com Zola é natural naturalista a boemia o fogo paulista
com a coordenação somos épicos-brechtianos
com a atuação; românticos
com a direção; dramáticos
e assim vamos experimentando as bebidas as tomadas as comidas
Viajo nas leituras me dá tontura. No intervalo vou à rua tomado pela loucura de Hera direto pro boteco do Tiozinho Vânia. Já é primavera tempo da colheita da uva e de filosofar na alcova e imaginar as humoristas nuas sem cenários e figurinos representando a Escola de mulheres e maridos de Molière!
Mulher, como tem gente que não gosta, Molière?
Volto a aula pra expurgar o experimento, Evoé!
Pausa longa o aprendiz entra na ponta dos pés, no escuro, ta rolando um vídeo do Tarkovisk e o filme é;
A Infância de Ivan
Um garotinho magrinho e corajoso e hoje um bom vivã
Vou ser realista bebi mais do que eu li. E ninguém vai apagar a memória da cana de Newton porque ta na física e na construção da personagem simbolista o rei e a meretriz. Sonhei que tava indo com a Cléo pra Paris num palco giratório e as satyrianas em volta encenando o bacanal; vinhos; ervas; frutas; massas; Foi surreal. To lendo o Cerejal e vendo gaivotas e do outro lado da praça a Fedra travestida colorida com o Cabral. É uma difusão sexual! Essa usina é uma grande feira tem até freira, loucos, cegos e macumbeiras. Um território multicultural. Que escola pós-moderna que serra e martela, incorporou Dionísio no nosso CUrrículo do bode de rabo de galo é o falo neste pátio aberto vamos, em coro, os duzentos, fazer um brinde ao saudoso Alberto Guzik.
Evoé!!!
Emerson Alcalde
Como a poesia chegou na sua vida?
Nossa!Estou apaixonado poesia me faz mudança a vida é consegue influência pensamento pq minha tema não tem como igual outros poesias , isso quero mudar sociedade ensinar como tá difícil a vida comunidade surdo
Como você era antes da poesia?
Como eu era antes da poesia? Eu não tinha interesse poesia quando abriu slam do corpo e zap comecei ir ver me inspira muito e descobri muita que posso mostrar sociedade a minha poesia
Como você era depois da poesia?
Sou poeta, artista e militante
Poesia que Limpa a alma e abre a mente
Faço poesia desde meus dezoito anos, ou seja, a dezessete anos. Comecei quando conheci a posse Zumbi dos Palmares em 2002, lá na cidade que nasci em Juiz de Fora, Minas Gerais. Meus primeiros versos foram nas escritas que fiz como Mc, cantando rap e de lá para cá nunca mais parei.
Como você era antes da poesia?
Antes da poesia, eu não fazia uma reflexão mais apurada dos fatos como hoje. A poesia me trouxe uma visão mais sensível e crítica da realidade por onde trânsito.
Quem é você depois da poesia?
Sou uma pessoa mais sensível, que vê em tudo motivo para escrever, registrar, mostrar o mundo nessa ótica. Não me vejo hoje mais sem viver o universo da poesia, ela me transformou num ser humano pleno, que observa a vida com um olhar além, que sente em tudo poesia.
Contra Redução
Os meninos são função.
Os meninos são fundão.
Para os meninos falta;
Saúde, escola, falta o pão.
Para muitos são bandidos.
Os sonhos dos meninos?
Um caderno, um castelo,
Um abraço um coração..
Cheio de amor, cheio de
compreensão, os meninos
São disposição, mas pros
Meninos o que sobra é..
A camisa 10, titular na
Lojinha da biqueira...
Antes brincavam de
Estilingue vulgo atiradeira.
Hoje os meninos são
Contadores, não de histórias.
Contam cifras, num sistema;
Neo liberalista, que explicita.
A vida dos meninos,
Como se fossem terroristas.
Mas o terror é ver jovens,
Virando estatísticas numa
Sociedade que insiste colocar...
Neles a culpa, 500 anos
Passaram, antes os meninos
Eram filhos dos quilombos.
Hoje são crias dos escombros.
Aprendem a caminhar,
Aprendem a atirar mas
Para os meninos aprender
A amar é um contravenção.
Como já disse o poeta
Coração de vagabundo,
Bate na sola do pé os
Meninos aprenderam..
A dar o Pelé, no capitão!
Não o do Mato, sim o da
Rota que ganha medalha,
De honra quando mata...
O menino numa quebrada
qualquer e bate no peito
Dizendo; mais um
Vagabundo, esse foi morar...
No inferno, mas você já
Se perguntou e os de
Gravata e terno? Merecem
Morar aonde? Se os meninos
São realmente o problema,
Cite pra mim pelo menos
Um envolvido em esquema.
De propina ou do mensalão.
Acorda sangue bom, a corda
Tá no pescoço e os meninos
Roendo o osso na escuridão,
De um calabouço, sombrio.
No brilho da caneta de ouro,
Do político engravatado, vejo
Vários meninos encarcerados.
E você aí apontado o dedo errado.
Se a redução da maioridade,
Penal resolvesse o problema.
Para político, corrupto e safado,
Uma arena de leões famintos..
Daqueles bem bolados, jogaria
Um por um, para sentirem na pele
O que é viver encarcerado vítima
De uma nação de alienados...
Que fecham os olhos para os
Verdadeiros problemas e
Passam pano para os verdadeiros
safados.