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sexta-feira, 27 de março de 2026

Transformação com Monique Alves

Como a poesia chegou na sua vida?

 A poesia chegou muito cedo, mas demorou a me pegar. 

Minha vó durante muito tempo escreveu poesias, acrônimos e essas coisas em cadernos e recitava para nós ou dava de presente nas festas de família. 

Minha mãe lia muitos livros de poetas e tinha amigas e amigos poetas, mas aquilo era muito distante de mim. A linguagem não me fazia sentido. 

Então por mais que estivesse na minha vida, ela tava meio distante. Só quando veio a pandemia que eu realmente senti a necessidade de escrever pra organizar meus sentimentos e aí veio o PJMC onde conheci saraus e slams, e realmente comecei a escrever e expor, pois encontrei a literatura periférica, que foi onde me reconheci.

Como você era antes da poesia?

- Acho que sempre fiz poesia, para além dos textos, mas eu guardava demais as minhas emoções e explodia em crises de borderline, tinha muito medo de expor uma série de coisas sobre o que eu pensava e como via o mundo. E por “conhecer” vários poetas, tinha muito medo de expor o que eu escrevia e não ser considerado poesia pois até então eu não conhecia ninguém que fazia poesia com o meu jeito de escrever e sobre o que eu queria escrever.

Quem é você depois da poesia?

- Uma pessoa que entendeu a força das palavras e o quanto é importante expressarmos o que sentimos e como entendemos o mundo e a vida. Hoje eu tenho segurança de expor como me sinto e o que penso, mesmo que isso já tenha sido distorcido e mal interpretado, mas vejo a importância de escrevermos para nos organizarmos mental e emocionalmente, mesmo sem expor. Acho que o palco não é uma necessidade para fazer poesia, tenho zero pretensões de ser artista e entendi que sou poesia pura. Ela escorre por mim e de mim!

Sobre ter fé - 25/07/23.

Me questionaram se eu só sabia escrever sobre putaria e desamor

Mas é que é mais fácil explanar que sou cadela de macho que assumir que viver nem sempre é fácil 

E pode não parecer, mas eu sou tímida. E hoje vou aproveitar que tamo só entre nois pra deixar vocês me conhecerem. 

E nem é sobre me apresentar 

É sobre escancarar

Oi, eu não só me chamo, como sou a Monique. 

De nascença Monique Hellen Alves da Silva. 

Já fui Mick e Demoniaque 

Pra alguns fui Nique 

Sempre fui Mo e isso fazia confusão quando não era eu sendo chamada de amor 

As vezes estou Ana Paula

As vezes estou Monikellen 

Mas tenho gostado e preferido de ser Momo. 

Nasci e cresci dentro de um núcleo onde eu pude exercer a minha liberdade religiosa. 

Cresci falando Nam-Myo-Ho-Ren-Ge-Kyo

E mesmo sem entender 

Fazia meu coração bater. 

Nas férias ouvia os cantos de Jeová mas não sentia meu coração mudar e eu achava estranho aquele núcleo “familiar” 

Onde tudo é proibido e é absurdo questionar 

Mas curtia dormir com a Bíblia embaixo do travesseiro, livro de fantasias cheio de história de analogia! Muito maneiro! 

Parei de crescer e finalmente entendi a filosofia do sutra de lótus, posso dizer mesmo que compreendi, pois despertou conhecimentos apenas adormecidos dentro de mim. 

Achei a Felicidade e a Coragem em Diálogos com a Juventude é só então entendi que aquilo já tava em aqui

Literalmente tatuado

Compreendi a trindade da Fé, Prática e Estudo e a diferença de filosofia e religião 

Entendi o que é multiplicar o pão 

E analogias é só uma tradução pra fazer sentido e conexão 

Compreendi o humanismo por uma era de paz

Compreendi o Karma e que privilégio ter nascido no meio de mulheres com karmas tão fortes que me ajudaram a entender o meu

Conheci meus padrões

Transformação com Daniel Minchoni

Daniel Minchoni é poeta, editor e slammer nascido em São Paulo (SP), onde viveu até os 17 anos. Em 1997, mudou-se para o Nordeste, onde iniciou sua carreira na poesia oral, participando de projetos como a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN e Poesia Esporte Clube, e foi um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Em 2006, retornou para a capital paulista e hoje se dedica a novos projetos, como o Sarau do Burro (criado em 2008 e onde é editor do selo Doburro) e o Menor Slam do Mundo (apresentado desde 2012). Foi professor de Poesia expandida, performance e voz na Casa das Rosas entre 2018 e 2022 e é professor formador do Slam Interescolar.

Como a poesia chegou na sua vida?

viver ainda vai me matar.

viver é uma benesse.

um biscoito da sorte recheio stress.

viver é travessia irregular que se desvia para fora de ser e de lugar

não é causa nem efeito e pra travessia não há jeito.

atravessar é fatal

só há um leito de lama e lodo no final

caí nessa travessia

sequer me perguntaram se eu queria

e de repente me vem poesia

querendo correr uma maratona por dia



tico e teco

tico e teco

tic e tac

tic e tac

tique e toc

tic e tac

‘tic tac o tempo vai passando e a gente aqui sentado no banquinho conversando’


viver ainda vai me matar.

viver é uma benesse.

um biscoito da sorte recheio stress.

viver é travessia irregular que se desvia para fora de ser e de lugar

não é causa nem efeito e pra travessia não há jeito.

atravessar é fatal

só há um leito de lama e lodo no final

caí nessa travessia

sequer me perguntaram se eu queria

e de repente me vem poesia

querendo correr uma maratona por dia


não sei o que me quer a poesia,

essa mulher que me fantasia e me consome

só sei que ela está a me levar e não sei o lugar onde ela se esconde

e se a sinto roçar

quando vou olhar ela já me some

esqueço até meu nome

é minha menina levada, danada,

estou sempre a perguntar sua morada

e ela me diz

muito maleducada:

não te direi

pois devo te lembrar

que és apenas um rapaz

um aprendiz

de mim

não sabes nada


eita poesia danada


(João Xavier)



Como você era antes da poesia?


Eu vivia isolado do mundo

Quando eu era vagabundo

Sem ter um amor

Hoje em dia eu me regenerei

Sou um chefe de família

Da mulher que eu amei

Linda, linda, linda, linda

Linda como um querubim

É formosa, cheirosa vaidosa

A rosa do meu jardim

Se tu fores na Portela

Gente humilde, gente pobre

Que traz o samba nas veias

O samba de gente nobre

Mas ela não sabe

Não sabe compadre, o que perdeu

Um amor sincero e puro

De um escuro igual ao meu

Se ela soubesse

Que o peito padece com a solidão

Não me negava seus beijos

E me dava o seu perdão


Alcides Lopes


Quem é você depois da poesia?


Minha cabeça passeia 

passada passareia

me arrisco

caminho em frente a tua casa

castanha

pra ver se chamo o brilho do teus olhos

todas as volta do mundo são pra você

plano contínuo sequência

mais ou menos 

saúdo tudo que te é, sagrada

eixo de rotação da minha lira

mar e sal, medo e som

sal e som

quando você gira e pira

eu beiro o piripaque

seu ritmo explode feito um atabaque

meu peito dissoa, destoa, passando mal

fora de tempo te fotografo

fora de foco

um retrato do meu desespero

seus olhos no espelho

pintados fechados rasgados

me falta luz

te sobra brilho, glitter, carnaval

te sobra esplendor

portanto quando você chega, esguia

me falta o ar

o argumento natural

me falta

minha cabeça fica a toa

rouba a brisa come a lombra

meu pensamento é sombra

da sua árvore

maçã

júpiter e saturno é teu signo

você tão gasosa me escapa 

mas me sai, tão carma

o meu, romeu

tento manter a missão

mas não posso

Minha cabeça de grua

faz cinema em tua rua

na hora que a lua se afasta 

e você chega, quasiquibêba, 

reluzente, brilhante e feliz

depois de uma puta noitada

café quente no bule

te espera o sorriso

como quem espera mais nada

um quase pôr do sol chapado 

em meu araripe

que terminou mais cedo

mas não deu, não foi

caçando assuntos pelos cafés da rua

você ainda traz um desenho 

mais completo da vida no bairro

um jeito meio errado de preferir pão na chapa da padaria da esquina 

do que uma fruta no prato

no quarto quentinho

como quem diz que a vida passeia

e passareia 

com os desenhos descalços dos teus pés

solas em todas calçadas

e a passarada assovia

e cada vez que tu encara

eles desviam olhar

que de fronte nem eu nem ninguém tem coragem

porque tudo se move ácido

como fosse mole, movediço 

e é só o desejo de tornar

qualquer caminhada tediosa

numa tela do dali.

você ainda jovem, 

pintando e pintada.

bonita pacaramba

e eu perdido pra variar.

mas ando pelo centro antigo

como quem esgueira 

e só por brincadeira,

virado no jiraya e

na madrugada vejo 

desenhos grandes

bonitos de vida. 

uma briga virada

cheia de machões e sarados

antes do cavaquinho do nelson tocar

o catador de latinhas 

com sua vara pescando 

na caçamba de recicláveis sustentos

se abraça com o fortão briguento

ambos assim como eu 

só querem carinho

é só querência e carentena

o artista que cruza o descuido

e constrói sua obra de protesto

naquilo que destrói do mais desprovido

o propósito

a água bebe a onça

o outro catador que encontra ouro de latinhas jogado no chão quase emocionado querendo juntar tudo sem que ninguém encontre divisão

dois poetas que observam sempre

e filosofam

e o passante que se autoriza pela fala

a ir de frente da tropa da polícia 

e oferecer uma flor

pra mostrar pros poetas 

como se encerra a guerra

enquanto tudo isso passa

você dorme tranquila,

em casa um sono quentinho

de quem nem liga pro que perde

pois é no sonho que mora o amor

mas mesmo sem bater os relógios

os nossos corpos se batem

e nesse contato de ossos, tato, 

os nossos corpos: lava, terra e mar

e como catástrofes naturais

cataclismas

tornamos o dia torto

trancado

da sala pro quarto em vendaval

e antes do dia nascer

nós já estamos grávidos

profundamente grávidos

gravidíssimos de toda gravidade do momento

e é pra vida inteira

e pra mais outra

tudo em dupla

queria me manter inteiro

mas o meu anterior é feito frangalhos


não sei o que me quer a poesia

nem dela o que quero de mim

só sei que seguiremos lutando

até que um de nós encontre o fim



poema:

POEMA DISCURSO DO FIDEL

E DO LULA PRA LER EM PIQUETE

OU MONUMENTO AO ESGOTAMENTO FONÉTICO


quem colocará fogo na neve?

se os poetas estão de greve.

querem um pouco de atenção,

reles migalhas do teu não.


quem falará o que não deve?

se as poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles formigas do teu pão.


quem deixará bigorna leve?

se is poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles farelos do teu chão.


quem tornará o longe breve?

se xs poetas estão em greve

querem um pouco de atenção,

reles fonemas do teu cão.


quem colocará o longe breve?

se os poetas estão de greve.

querem um pouco de atenção,

reles migalhas do teu cão.


quem falará fogo na neve?

se les poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles formigas do teu não.


quem deixará o que não deve?

se los poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles farelos do teu pão.


quem tornará bigorna leve?

se tus poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles fonemas do teu chão.


quem colocará bigorna leve?

se os poetas estão de greve.

querem um pouco de atenção,

reles migalhas do teu chão.


quem falará o longe breve?

se as poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles formigas do teu cão.


quem deixará fogo na neve?

se us poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles farelos do teu não.


quem tornará o que não deve?

se ils poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles fonemas do teu pão.


quem colocará o que não deve?

se lus poetas estão de greve.

querem um pouco do teu pão.

reles migalhas de atenção,


quem falará bigorna leve?

se the poetas estão em greve.

querem um pouco do teu chão. 

reles formigas de atenção,


quem deixará o longe breve?

se as poetas estão em greve.

querem um pouco do teu cão.

reles migalhas de atenção,


quem tornará fogo na neve?

se vós poetas estão em greve.

querem um pouco do teu não. 

reles formigas de atenção,


quem colocará fogo breve?

se voz poetas estão de greve.

querem um pouco do teu pão.

reles farelos de atenção,


quem falará o que não neve?

se as poetas estão em greve.

querem um pouco do teu chão.

reles fonemas de atenção,


quem deixará bigorna deve?

se us poetas estão em greve.

querem um pouco do teu pão.

reles migalhas de atenção,


quem tornará o longe leve?

se es poetas estão em greve

querem um pouco do teu chão. 

reles formigas de atenção,


quem colocará fogo leve?

se is poetas estão de greve.

querem um pouco do teu cão.

reles farelos de atenção,


quem falará o que não breve?

se os poetas estão em greve.

querem um pouco do teu não.

reles fonemas de atenção,


quem deixará bigorna neve?

se las poetas estão em greve.

querem um pouco do teu não.

reles migalhas de atenção,


quem tornará o longe deve?

se uns poetas estão em greve

querem um pouco do teu pão. 

reles formigas de atenção,


quem colocará fogo deve?

se as poetas estão de greve.

querem um pouco do teu chão.

reles farelos de atenção,


quem falará o que não leve?

se es poetas estão em greve.

querem um pouco do teu cão.

reles fonemas de atenção,


quem deixará bigorna breve?

se as poetas estão em greve.

querem um pouco do teu cão.

reles farelos de atenção,


quem tornará o longe neve?

se us poetas estão em greve

querem um pouco do teu não.

reles fonemas de atenção,


quem colocará fogo na neve?

se os poetas estão de greve.

querem um pouco de atenção,

reles migalhas do teu pão.


quem falará o que não deve?

se las poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles formigas do teu chão.


quem deixará bigorna leve?

se es poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles farelos do teu cão.


quem tornará o longe breve?

se us poetas estão em greve.

querem um pouco de atenção,

reles fonemas do teu não.

(pão cão chão)

quinta-feira, 26 de março de 2026

Transformação com Ajatoba

Como a poesia chegou na sua vida?

A poesia chegou na minha vida através da aula de português, com professor Acácio, na escola Alberto Conte que foi onde fiz o ensino médio. Ele chegou recitando Racionais. Eu sempre me interessei muito em ler, era algo que meu irmão especificamente, sempre me incentivou muito a fazer , então eu já tinha cruzado a poesia antes. Mas ela chegou mesmo na minha vida a partir desse dia. Foi no 1° ano do ensino médio. 

Como você era antes da poesia?

Antes da poesia eu era alguém que amava admirar quem fazia qualquer tipo ou forma de arte. Sempre foi algo que gostei muito em ouvir/ver. Transitava bastante em atividades culturais aonde dava. Música, desenho, pintura, artesanato, teatro.

Quem é você depois da poesia?

A poesia foi onde eu encontrei um lugar íntimo, onde tudo era válido, falar abertamente (ou não tanto assim) sobre qualquer assunto que se instalasse nos meus pensamentos, no meu corpo ou no meu coração. Foi também o "universo" que me fez conhecer muitas pessoas que hoje, não me vejo sem. Amigas e amigos também apaixonados pela palavra e pela escrita e que, todos convivem muito bem e ensinam muito sobre o que é estar e ser coletivo. A poesia me molda, me educa constantemente. Depois da poesia eu me tornei alguém que se permite pensar e refletir melhor sobre as situações e modos de viver e de conviver.

Os Que Nunca Foram Achados

Hoje faz parte de um dos dias da primavera.

Mas olha só, vou te contar um segredo

Se é que já não sabe

As marcas de gotas escuras no chão, dessa vez não são dos pés de amora

Mas talvez tenha a ver com os meninos

Sim, os meninos que pegavam as amoras

Os meninos não estavam lá também, afinal, não tinha amoras naquele dia

Fiquei me perguntando onde estavam 

O que faziam

Já não era hora da escola e não estavam em suas casas

As casas eram assustadoras demais para estarem antes que suas mães brigassem para que voltassem por estar tarde demais

Mas isso, quando tinham mães 

Ou quando as mães podiam estar em suas casas a noite pra notarem que os meninos, ainda não estavam lá 

Parecia que também não estavam nas ruas

Assim, como dizem… Brincando, correndo…

Só se estivessem brincando talvez de pique-esconde

Na quebrada é bom, tem muito lugar escondido pra se esconder

Dá certo, se nem o Estado achou, é lá que devem estar

Mas ainda não sei

Acho que talvez não estejam brincando

Eu sei, porquê, aos 16 eu também já não brincava mais dessas coisas

Mas talvez, pode ser que esqueceram de sair

É… Talvez, tenham entrado nesses lugares aos 10, aos 9, talvez aos 12 e queriam ser os últimos a serem achados

E daí ficaram lá, se mantiveram por lá 

Porque se saíssem, sabiam que não iam ganhar

O lugar do pique era muito longe e o pegador estava ao lado do pique, guardando caixão

O pegador o tempo todo vigilante 

É, com certeza estão escondidos nos lugares escondidos que nem o Estado achou.

E daí, eles tiveram que entreter o tempo porque ainda, mesmo escondidos, ainda sentem fome, sentem sede, sentem dores, sentem sono, muito sono

E um dia, de tanto sono, dormiram

E acordaram no susto

Porque quem achou não foi o pegador

Foram os homens do estado

Entraram no lugar errado, pegaram os meninos errados

E quem pegou não foi a mão, mas era uma bala

Só que essa não era nenhum pouco doce

É que o Estado descobriu o lugar escondido

Que tanto que pediam pra achar

Que tanto pediam pra olhar

Que tanto pediram pra melhorar

Nesse dia eles acharam

Mas acharam os meninos errados.

Acharam os meninos desconcertados pelo descaso desajustado que eles decidiram esquecer 

Poucos minutos antes, os meninos lembraram porque se esconderam e ficaram sem reação 

É que o pegador, eram os homens do estado

Mas no dia seguinte, a gente sabe quem foi que guardou o caixão.

Dalmnus - Transformação

Como a poesia chegou na sua vida?

Na época de escola, lendo alguns livros e também num caderno de versos que minha prima tinha. Me encantava os sons das palavras parecidos a cada final de linha. E a escrita veio também em época de escola, ali no ensino médio, comecei a rabiscar algumas coisas. E a primeira vez num sarau e declamando foi num cursinho pré vestibular, uma poesia que escrevi ali na hora e foi uma sensação boa de estar onde deveria estar.

Como você era antes da poesia?

Um maninho de periferia, que gostava de jogar bola, entre outras coisas da época, e nessa fase escolar gostava de aprender, gostava de ler, gostava de estudar. Ainda não tinha noção do que era a poesia e como ela faria parte de mim e como poderia ver o mundo de outra forma.

Quem é você depois da poesia?

Alguém que sabe da importância de escrever. Se expressar através das palavras, sejam elas rimadas ou não. E quando se propõe a ir além do seu mundo particular, quando compartilha seus versos com o mundo
entender que pode tanto tocar como afetar as pessoas de alguma forma, seja positiva ou negativa. Não se censurar. Mas saber que mesmo no sentir, se compartilhado há uma responsabilidade ali, um cuidado. Tempo é algo muito precioso, se quer que alguém dedique tempo de vida pra te ler ou ouvir, há uma responsabilidade ali. É traduzir pensamentos e sentimentos em versos.

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Transformação com Yurungai

 Yurungai


Como a poesia chegou na sua vida?

Eu componho antes de ler um livro de poesias, porém me lembro que, no caso da poesia enquanto estrutura de texto literário, havia em casa uma antologia poética da Cecília Meireles (que fui conseguir ler e entender o conteúdo bem depois de fazer minha primeira letra da música), e também por meio das aulas de português com análises de letras de músicas brasileiras da época da ditadura militar, por exemplo. 


Como você era antes da poesia?

Antes de ser uma pessoa que declama e canta minha poesia, eu era uma pessoa com depressão, com muita dificuldade em pertencer ou de sentir sentimentos de acolhimento. quando passo a expressar publicamente minha composição, até então discreta, me reconecto com o que entendo de mais belo e ancestral na minha vivência. 

Créditos da foto Nereu Jr.

Quem é você depois da poesia?

Segundo Nego Bispo, não há fim, e sim começo meio e começo, daí que entendo que a poesia vive em mim um durante. Então sou com ela. E durante minha poesia, sou verdadeira, confiante e em êxtase da dignidade que acontece quando estou em performance. Minha composição pede dignidade, logo cantá-la é sempre uma realização. 

Yurungai


segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Transformação com Irawó

Irawó

Como a poesia chegou na sua vida?

A Poesia chegou em mim através do Sarau do Capão e, a partir dali, eu entendi que o que eu escrevia era algo. E criado uma certa coragem para expressar aquilo de forma falada, eu já escrevia como forma de refúgio, pois amigos já haviam me falado muito sobre desenvolver e ir para além da escrita com aqueles desabafos; mas eu ainda não frequentava tantos espaços. Após frequentar o Sarau da ponte pra cá e o Sarau do Capão conheci o Slam do 13 e mergulhei na cena do Slam. Entretanto não busco ser uma competidora em si, porque acredito em potencializar poetas em espaços maiores tendo o devido reconhecimento e fomentos necessários para a cena crescer.

Como você era antes da poesia?

Bom! Eu era uma adolescente bem perdidona, querendo ser algo que já eram em vez de ser eu mesma.

Quem é você depois da poesia?

Hoje eu busco sempre ter minha personalidade regada, buscando sempre fazer diferente e trazer isso muitas vezes por meio da oralidade.


Poesia

Pretona Dengosa


Eu sei é mow fita como as coisas rolam e acontecem

E de verdade 

Jamais achei que hoje estaria assim


Não é só sobre forma que estou

De ter auto estima ou orgulho

Até por que isso a 10 anos atrás era impossível


Desacreditava de qualquer possibilidade

De me achar bonita

De me achar desejável

De achar que 

Pessoas poderiam gostar até mesmo da minha personalidade


E eu era modelo parsa


E é foda porque é onde você vê

Que o padrão de beleza não é você

E o que faz com a mente de pessoas negras


É só outra armadilha

tu pisa, te machuca mas tu não consegue sair


Eu não só me via longe daquilo

Longe do “perfeito”

Mas longe de encontrar o básico


De ter uma casa

De ter carinho

De ter meu sustento

De ter respeito

Eu Nem queria ser algo


Quando eu perdi a virgindade por exemplo

Não foi algo que eu quis fazer

E que eu sentir prazer com isso


Foi algo que tiraram de mim

Mesmo depois de eu falar “não quero fazer isso”


Pensar que isso poderia ser um gostar

Não um estupro como fica mais nítido a cada dia


E Chegar a voltar 

A pensar que se ele quer eu tenho que aproveitar

Pois ninguém mais vai querer

Neguinha preta ? Difícil alguém ver beleza

Como é que eu iria ver?


Se Entende esse lugar ?

Não existe outra possibilidade além daquela

Então aceite !

Por mais horrível que você se sinta, por mais dor que você sustente

As vezes é só isso que se merece


Claro que

O que eu deseja tava longe do que eu queria

Ou longe de me desejar

Mas eles sabiam que existia sim 

A Beleza


Eai teve o momento

Que o que eu queria me quis também

E Nesse mesmo sentido de desejo

Eu me entreguei


Entreguei tudo achando que seria o suficiente

Que renderia algo bom

Tudo que ele queria eu dava

E eu só dei

Dei pra não receber nada


Dei tanto que esqueci que eu era um ser aqui

Dei tanto que deixei de existir

Eu não só me perdi

Eu desisti

E desisti de ser digna do básico


Procurei durante muito tempo esse afeto na rua 

Mesmo achando que não era pra mim

Eu demorei pra encontrar esse afeto que só vem de si mesmo

De encontrar beleza

De colocar limites nas relações pra não me defasar novamente


Mas encontrei perdido na trilha

Algo que ninguém mais poderia me dar

Só a natureza poderia fazer eu enxergar

O quanto cada detalhe em mim é importante


Onde além da beleza externa

Mas amar aquela parte do corpo que você detesta

E amar ela do jeitinho que ela é

Esse amor verdadeiro que não vem com beijo

Mas você pode sim

Se beijar


Esse amor que vem e fica impossível alguém conseguir tirar

Esse amor de verdade que faz com que você não aceite migalhas

Eu desejo ele pra ti mulher preta

Todo cuidado e carinho que esse amor pode proporcionar


Ele pode vir assim como achado que tu perdeu

E quando ele te encontrar faz grandes mudanças

Traz o conforto que tu pensou que perdeu


Desejo pra ti mulher

Esse amor

Esse desejo


Ama te até seu cheiro

Teu gosto

Teu gozo

Teu gemido


E assim tu se chamega e se ama

Encontrando e dando valor para quem te desejar para além da cama

Esse amor

Eu Te amo, Pretona !


Irawó

domingo, 25 de abril de 2021

Transformação com Cocão Avoz

 Mauro Avoz

 Mauro Avoz, o Cocão, é um Raper da zona Sul de São Paulo, e um ouvinte aprendiz das letras cortantes do Rap nacional dos anos 1990. É autor do livro “Pra não dizer que não falei das ruas” e integrante do grupo de Rap Versão Popular.

Como a poesia chegou na sua vida?

A poesia chegou a mim, através do rap; mas nesse início eu não entendia que o Rap era, Ritmo e Poesia, com o tempo, por conhecer a Cooperifa e perceber a lírica entre muitos poetas que ali recitavam eu pude entender.

Como você era antes da poesia?

Na minha adolescência, antes da arte e pra ser mais preciso a poesia, eu não via muita esperança nas pessoas e muito menos na vida, a poesia chegou pra dar um rumo, uma estrada, um norte para meus sonhos e pensamentos.

Quem é você depois da poesia?

Creio que um cara mais observador, questionador, e com vontade e gana por trabalhar com a arte, também entendendo como é a vida na real.

De volta pra casa


Poema:

De Volta Pra Casa (Cocão Avoz)

Missão cumprida, baby, minha quebrada me espera
Amor ao rap, é os prédio, a semente é a terra
Antigas ruas em guerra, onde o respeito se eleva
Visto a camisa, vem vê, vozes que gritam por ela

Pelos parques sem flores, pelos versos e amores
Tudo de bom eu desejo, e que sumam as dores
Senhoras e senhores, poetas e cantores
O grafite e suas cores, o universo e os mentores

Em cada um o Dom, dançar conforme o som
De volta pra casa, eu me renovo sangue bom
Os bons amigos são, os que estão, estão
Sinceros, felizes, a esperar de prontidão

O amor de mãe, e também do pai
Eu sei o que eles sentem quando o seu filho vai
Em missão, em luta, mundo afora e sem ajuda
É a vida pelo sonho, e você sabe quando muda

A música, a rima, a palavra é auto estima
Por mais que vocês fuja, ela persegue, é a sina
Noite adentro é o clima, lágrimas na retina
Recordar é viver, a função de esquina

Mais de uma década, amém, vou no caminho do bem
Eu entendi, tô aqui, és uma história também
Eu vou levando a sério, desde o início sem cena
Nós já vivemos em crise, eu já cantei os problema, vai…

De volta pra casa
De volta pra casa
De volta pra casa (eu tô de volta)
De volta pra casa
De volta pra casa

Pelo rap, a poesia, olha nós, ó quem diria
Das noites mal dormidas, retorno a luz do dia
Chove, chuva, e a mão na massa, vamos
Dixavando escrita, profissão que nós amamos

Pra quem bolou os planos, na fuga pelos canos
A plenos pulmões, eis o grito de mil manos
Eis a liberdade, eis as luzes da cidade
Sentido bairro, olha o foco, malandragem

O amor não vê miragem, tá na pele a tatuagem
Deixa os moleque, é só fumaça sobre a laje
Libertaram Barrabás, gente muda pela paz
Luto e tumulto, hoje luto e quero mais

Ir e vir e viajar, com a bela a beira mar
Eu, de cabelos brancos, só histórias pra contar
Penso, eu já pensei, mas um dia eu já fui rei
Nos contos de quebrada, eu nada sou, eu nada sei

Chapeleiro deixou brécha, moscou, dormiu na festa
Eu não posso esperar, pois hoje eu tenho pressa
São Paulo é ferveção, verão é multidão
Olhares furam lupa, é a multa, o arrastão

De perto, de longe, meditando tipo os monge
Da li eu vejo tudo pra não sumir no monte
Feras e ferido, vítima dos inimigo
Negros da maratona se parecem comigo

De volta pra casa
De volta pra casa
De volta pra casa (eu tô de volta)
De volta pra casa
De volta pra casa


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Transformação com Michel Yakini

TRANSFORMAÇÃO.

A poesia transforma com o poeta Michel Yakini
Uma pequena entrevista com poetas sobre o tema.

São apenas três perguntas e as respostas estão abaixo

+ Como a poesia surgiu na sua vida?
A poesia surgiu nas cantigas de coro e palmas dos terreiros de umbanda, no olhar atento  da versação da capoeira, no ouvido atento das histórias do nego veio no buteco, e no incentivo da mulecada em escrever cartinhas de amor pras paquerinhas deles na escola

+ Como você era antes da poesia?
Um menino que revoava sonhos com um par de chuteira nas mãos, e que canalizava jogar ao lado de Amoroso, Djalminha no Guarani, fazer dupla de zaga com Juan no Flamengo. No meio disso, trampava na feira, no mercadinho, lombando escadas pra instalar telefone nas quebradas afora.  Ah também era (e ainda sou) caminhante noturno.

+ Quem você é depois dela?
Continuo canalizando ser jogador de futebol e viajar o mundo (agora) com as asas da palavras.  Hoje faz mais sentido conversar com o sol e a lua, do que fritar pelas injustiças do mundo, isso me deixa doente. Um copo de agua, bebido na moralzinha, me diz melhor o que fazer nesses caminhos de belas encruzilhadas. Dias atrás, não tinha expectativa de chegar nem aos 30 anos, então o que posso fazer de melhor hoje é agradecer

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Transformação Quina

Como a poesia surgiu na sua vida?
A poesia surgiu antes de eu imaginar que tantos desabafos eram.na verdade poesia. Na adolescência.

Como você era antes da poesia?
Antes da.poesia era um nó na garganta.

Quem você é depois dela?
Depois dela sou tudo, através dela me transformo todo dia.








POEMA

"Por cima da cama
Dois corpos suados, o extasiados,  nus.
Por dentro dos olhos um sorriso,  nós,  luz.
De todos os gritos,  sussurros e gemidos também teve blues. "

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Transformação com Márcio Ricardo

Como a poesia surgiu na sua vida?
A poesia surgiu com as rimas, eu não tinha amigos aos 6 anos, e daí aprendi rimar antes de aprender ler e escrever. Quando eu entrei na escola e aprendi ler e escrever comecei a conhecer melhor o som e tom das palavras e enriqueci o meu vocabulário. Quando eu tinha algum problema eu não conseguia desabafar com ninguém, nem na escola e nem em casa. E um dia vi um livro de poesias e vi que nas estrofes tinham os versos e os versos contia rimas. Daí eu trocava ideia comigo mesmo, a primeira estrofe rimando eu falava sobre os meus problemas, a segunda eu fingia que era alguém de fora e tentava resolver os meus problemas, e por aí vai. A poesia desde criança para mim é como se fosse um corte, não rasga a pele, mas você precisa ver como fica a nossa alma quando colocamos para fora todas as coisas boas e ruins que sentimos.

Quase fui jogador de futebol, e por necessidade tive que parar de estudar aos quinze para chegar no horário correto no clube que eu jogava, machuquei o meu joelho e o clube não quis pagar a minha cirurgia, dai tentei voltar a estudar, mas não consegui vaga em nenhuma escola do Grajaú. Só voltei a estudar com 21 anos, fazendo o EJA, a suplência. Lá, uma vez fui zoado por estar escrevendo poesias, daí levantei e falei uma poesia para todos, uns gostaram outros não, mas o importante foi o respeito. Conheci a que é hoje minha madrinha na arte, Maria Vilani, e ela me apresentou o centro de Arte e Promoção Social. Em uma roda de poesia mostrei meus textos, que chamou a atenção de um filósofo chamado Cesar Mendes da Costa, que tem uma editora no parque Sto Antonio e apostou em mim, publicando o meu primeiro livro, o "Felicidade Brasileira". O resto muitos ja sabem da história, surgiu o poeta Márcio Ricardo.

+Como você era antes da poesia?
Acho que a poesia sempre foi o melhor dos ouvidos, no papel e caneta eu podia gritar, e falar e falar (escrever), que ninguém nunca iria me julgar, me cortar...
Porém o ser humano é muito invisível para a sociedade, e eu não era diferente.

Quem você é depois dela?
Hoje eu sou amigo e conheço grandes escritoras e escritores, pessoas que me representam e representam os meus, os nossos. Pessoas que eu olho para o lado e digo: "Não tô só".
A poesia é um grito, e hoje eu agradeço tudo que sou e o que ainda posso ser graças a ela.

Pra quem nasceu dentro de uma viatura, sem forças para chorar, e depois ser adotado e passar por tudo que passei até hoje, é uma conquista poder escrever uns versos, e quando alguém me ouvi, é um pedaço do paraíso, e não digo que é por ego, e sim por merecimento de uma linga estrada de quase 28
 anos.

 

sábado, 25 de agosto de 2018

Transformação com Jacquinha Nogueira

+ Como a poesia surgiu na sua vida?
A poesia sempre esteve presente na minha vida seja pela curiosidade em folhear ainda na infância os livros de minha mãe, ouvir as histórias de minha avó materna e dos mais velhos, pela viagem e apreciação com as palavras e letras de músicas ou pela forma subjetiva de falar de mim mesma para outros já que sempre me neguei a partilhar minhas angústias.  A poesia sempre esteve ali na minha fala e anunciava-se naturalmente em algumas conversas. Até o dia que por não partilhar minhas dores minha mãe disse escreve e depois rasga, mas eu nunca rasguei.

+ Como você era antes da poesia?
Eu era uma voz sufocada no peito, com muitos versos a fim de caminharem por aí. Eu era uma fuga de mim mesma e dos meus olhares sobre o mundo, pessoas e sentimentos. Eu era o que me negava ser, até que me rendi aos versos superando a dor e a timidez de escrevê-los e me permitindo conhecer o lado encantador, árduo, trabalhoso, mas indescritível , saboroso e libertador que é escrever, torna-se poesia.

+ Quem você é depois dela?
 Há um micropoema meu que traduz exatamente esse sentimento. Do verso ela fez seu grito mais forte e a parte mais bonita de si. A poesia hoje é tudo  em dia na minha vida. É ela que vêm regendo meu mundo, meus dias e caminhos desde 2014. Não há um passo que eu dê sem a magnifica presença de respira-la na minha vida, me descobrir uma mulher inteira, liberta e mais forte sem perder a delicadeza no grito dos versos. Hoje sou a professora-poeta, a organizadora de um sarau na minha cidade e de intervenções em sala de aula com saraus e uma das vozes que vêm ecoando fortemente pelo recôncavo baiano e convocando ao voo várias outras mulheres. Hoje eu sou o melhor de mim graças à poesia.



POESIA

Crespo
Nada de bombril!
Meu cabelo não é esponja de aço
É crespo, moço!!!
É crespo, moça !!!
Não custa falar
Aprenda a nomear, a respeitar
A minha diferença da sua
Os meus cachinhos miudinhos, enroladinhos
da raiz as pontas
Crescendo pro alto, volumoso e hidratado
Enquanto você fica aí o julgando de ressecado,
Apelidando de duro e descendo o esculacho
No jato d’água ela escorre e deixa meus cachinhos mais amostrados
Quando seca ele é pura beleza no estilo armado
Olhando no espelho, moço
Olhando no espelho, moça
Meu black reflete minha identidade
Mulher naturalmente bela
sem a necessidade constante
de uma maquiagem.   
    (Jacquinha Nogueira)

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Transformação com Jairo Periafricania

+ Como a poesia surgiu na sua vida?
A poesia surgiu em minha vida quando a muito tempo atrás o Binho me chamou pra um sarau que ele organizava ali no bar dele ao lado da antiga Uniban. Eu não tinha o hábito da escrita nem da leitura até então.
Fiz uma poesia do Sergio Vaz que aliás tbm não o conhecia. Ganhei uma camiseta de presente de um amigo Ronaldo o nome dele que tinha um poema do Sergio Vaz, recitei e dei os créditos ao autor e pra minha surpresa o Sergio estava lá e a partir daí ouvindo os poetas com seus poemas autorais despertou o interesse em compor tbm... nesse mesmo dia fui convidado pra conhecer o sarau da Cooperifa e não sai mais e escrevo desde então.

+ Como você era antes da poesia?
Antes da poesia eu levava a vida de uma forma totalmente diferente de hoje com certeza.
Taxista de ofício eu sempre ali no meu dia a dia nas idas e vindas, conversando com os amigos sobre política, futebol, trabalho, etc... com todo respeito eu era totalmente alienado, até porque não lia e só enxergava a um palmo de distância, eu não tinha noção de nada... ouvindo os poetas fiquei interessado em personagens que votavam em seus textos e fui pesquisar, conversar... hoje olhando antes da poesia da literatura eu vejo o quanto estava moscando, é tipo como se eu vivesse antes do fogo e depois do fogo... virada drástica.
Hoje qiestiono tudo, antes vinha tudo pronto e eu meio que aceitava...

+ Quem você é depois dela
Depois disso eu estou sempre procurando descobrir, questionando tudo, meus bates papos mudaram, já não abraço certas idéias que vem de todos os lados, de políticos, da imprensa escrita, televisiva, nas redes sociais etc.
Tenho sede por respostas até porque tenho muitas perguntas.
Mano mudou tudo, da água pro vinho é muito louco tudo isso, até acho que por conta dessa mudança minha postura mudou, essas coisas trazem mais responsabilidades, revolta, inquietude, quando você adquire certo discernimento sobre certas situações muda tudo.
Pra finalizar aqui vou reproduzir uma frase, um pensamento que ouvi do Sergio Vaz que aliás disse até de quem é esse pensamento mas não me lembro o nome do autor, é mais ou menos assim:
"NÃO QUERO ACREDITAR SÓ QUERO SABER"

Poesia 

UM POEMA

Insônia loucura um delírio só meu
Insana a caneta desliza... Eu,
TE OFEREÇO UM POEMA...
TE OFEREÇO UM POEMA...

Um poema,
Rasga carne sangra dor brinda vida
cura amor
Tá na multidão que o rap arrasto
Na voz no furor que Racionais canto
Nas paginas dum livro que o poeta eternizo

Nas negras raízes no conto do grio
No canto sagrado que uma tribo entoo
É canta a liberdade pra quem tá confinado
No povo unido caminhando lado a lado

No raro d'javu loucura insensatez
Onde os forte sobrevive os fraco não tem vez
É o ser ou não ser... eis a questão
É respeitar a opção da irmã do irmão

Do jeito que quise bem me que mal me que
No drible na ginga no grito de olé
É pai filho pro espírito é santo
Nos muros becos em todos os cantos

No sorriso no pranto no trago no gole
Na dor no peso da ressaca do porre
Na escrita perdida num velho pergaminho
E agora José? São as pedras no caminho.

Insônia loucura um delírio só meu
Insana a caneta desliza... Eu,
TE OFEREÇO UM POEMA...
TE OFEREÇO UM POEMA

Na imensa solidão daquele na sargeta
Naquele rascunho esquecido na gaveta
Nas entrelinhas no subliminar
Nas metáforas que a vida não cansa de ensinar

No mistério da morte no enigma de marte
Num beijo roubado imitando a arte
Na frase sem crase no verso sem métrica
É Usa abusa da licença poética

Nóis fomo, nois vai, eu vi ela tanto faiz
Sem menos nem mais somos todos iguais
Na prosa a rima na trova o verso
Do nosso jeito simples complexo

Erudito popular entre o bem e o mal
La pra academia é um ser imortal
Aqui a poesia desfila no sarau
Cortejada por amantes etc e tal

Moro na moral é isso memo o papo é reto
Num mundo a parte é o nosso dialeto
A palavra escrita na canção que embala
Hey norma culta, se não entende!
Pisiu! Se cala.

Insônia loucura um delírio só meu
Insana a caneta desliza... Eu,
TE OFEREÇO UM POEMA
TE OFEREÇO UM POEMA

Jairo Periafricania

Transformação com Jô Freitas

+ Como a poesia surgiu na sua vida?
Através do sarau OqueDizemOsUmbigos em 2009 e me apaixonei em escrever e acreditar no que escrevia através de Daniel Marques, que foi e  é meu mestre da poesia.

+ Como você era antes da poesia?
Eu era apenas atriz, mas sentia que faltava algo no qual a poesia me completou
Era uma menina insegura e com medo de expor o que sentia

+ Quem você é depois dela?
Sou atriz, sou poeta, sou cenopoeta, desenvolvi um ciclo de oficina de poesia e cenopoesia, que é quase exclusivo, isso graças à 15 anos de teatro e 8 anos na poesia.
Viajei alguns países com meu trabalho de poesia.
Sou aquilo que sempre gostaria de ser

Insta @jofreitaspoesia
canal no youtube: https://www.youtube.com/channel/UCo--vOTAZo_znENlOwTXYWA

Poesia

Vão
Ele se foi como uma faca afiada que por erro não pode cortar
Se foi em vão, deixou um vão em meu pensamento
Carregou cada pedaço de seu corpo que pousava em mim
Como um dia estranho, nada feliz, nada triste
ele se foi
E desta vez sem deixar a chave escondida no vasinho de flores.
Como eu gostaria que existisse e pudesse transferir o amor que tinha por você, pra primeira pessoa que passasse na rua
Perdi o amor que sempre desejei
Perdi a conchinha de madrugada
Perdi teus dedos frios no meu corpo quente
Tua língua macia desenhando meu corpo
Perdi teu cheiro
Perdi aquele olhar nas manhãs que fazíamos amor
Perdi
Mas ganhei
Ganhei minha voz perdida em teu julgamento
Ganhei a chave das algemas e que não florescia
Ganhei novos olhares
Ganhei muitos desejos
Ganhei a vida que queria ter tido com você
Ganhei eu, novamente

Ganhos e perdas que hoje me fazem entender a vida
Mas que eu posso escolher o que entra e sai deste ciclo sem fim

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Transformação com Emerson Alcalde

Como a poesia surgiu na sua vida?
Surgiu no Sarau da Cooperifa. Descobri o sarau em uma reportagem. Eu já me interessava por textos da literatura marginal conhecia autores de prosa e dramaturgia como Ferréz e Plínio Marcos, mas não conhecia nenhum poeta da qual tivesse me tocado profundamente.
Como você era antes da poesia?

Eu frequentava outros círculos. Com a poesia passei a circular mais pela cidade, conheci muitas pessoas, fiz amizades e parcerias.

Quem você é depois dela?
Hoje me considero um artista depois do descobrimento da poesia. Uma pessoa que escreve poesia, que escuta poesia que lê poesia que pesquisa poesia. Não sou exclusivamente poeta, mas estou poeta e isto é grande.
Blog http://emersonalcalde.blogspot.com

POESIA

Dinonísio no Cu-rriculo

Na sala me embriago com as teorias de Aristóteles
No bar me concentro na lógica de cada gole
Um Engov. Ópis, ops, o telefone, meu irmão Karamazov
Fiquei imóvel como os personagens de Tchecov. Saio do balcão meio maria-mole
Nos corredores os autores ébrios escrevendo sobre o cereal killer com chá, granola, caipora, a espanhola corrobora com Zola é natural naturalista a boemia o fogo paulista
com a coordenação somos épicos-brechtianos
com a atuação; românticos
com a direção; dramáticos
e assim vamos experimentando as bebidas as tomadas as comidas
Viajo nas leituras me dá tontura. No intervalo vou à rua tomado pela loucura de Hera direto pro boteco do Tiozinho Vânia. Já é primavera tempo da colheita da uva e de filosofar na alcova e imaginar as humoristas nuas sem cenários e figurinos representando a Escola de mulheres e maridos de Molière!
Mulher, como tem gente que não gosta, Molière?
Volto a aula pra expurgar o experimento, Evoé!
Pausa longa o aprendiz entra na ponta dos pés, no escuro, ta rolando um vídeo do Tarkovisk e o filme é;
A Infância de Ivan
Um garotinho magrinho e corajoso e hoje um bom vivã
Vou ser realista bebi mais do que eu li. E ninguém vai apagar a memória da cana de Newton porque ta na física e na construção da personagem simbolista o rei e a meretriz. Sonhei que tava indo com a Cléo pra Paris num palco giratório e as satyrianas em volta encenando o bacanal; vinhos; ervas; frutas; massas; Foi surreal. To lendo o Cerejal e vendo gaivotas e do outro lado da praça a Fedra travestida colorida com o Cabral. É uma difusão sexual! Essa usina é uma grande feira tem até freira, loucos, cegos e macumbeiras. Um território multicultural. Que escola pós-moderna que serra e martela, incorporou Dionísio no nosso CUrrículo do bode de rabo de galo é o falo neste pátio aberto vamos, em coro, os duzentos, fazer um brinde ao saudoso Alberto Guzik.
Evoé!!!
Emerson Alcalde

domingo, 19 de agosto de 2018

Transformação com Edinho

Como a poesia chegou na sua vida?
Nossa!Estou apaixonado poesia me faz mudança a vida é consegue influência pensamento pq minha tema não tem como igual outros poesias , isso quero mudar sociedade ensinar como tá difícil a vida comunidade surdo

Como você era antes da poesia? 
Como eu era antes da poesia? Eu não tinha interesse poesia quando abriu slam do corpo e zap  comecei ir ver me inspira muito e descobri muita que posso mostrar sociedade a minha poesia

Como você era depois da poesia?
Sou poeta, artista e militante
Poesia que Limpa a alma e abre a mente

Transformação com Tiago Luiz

Como a poesia chegou na sua vida?

Faço poesia desde meus dezoito anos, ou seja, a dezessete anos. Comecei quando conheci a posse Zumbi dos Palmares em 2002, lá na cidade que nasci em Juiz de Fora, Minas Gerais. Meus primeiros versos foram nas escritas que fiz como Mc, cantando rap e de lá para cá nunca mais parei.

Como você era antes da poesia? 

Antes da poesia, eu não fazia uma reflexão mais apurada dos fatos como hoje. A poesia me trouxe uma visão mais sensível e crítica da realidade por onde trânsito.

Quem é você depois da poesia?

Sou uma pessoa mais sensível, que vê em tudo motivo para escrever, registrar, mostrar o mundo nessa ótica. Não me vejo hoje mais sem viver o universo da poesia, ela me transformou num ser humano pleno, que observa a vida com um olhar além, que sente em tudo poesia.


Contra Redução

Os meninos são função.
Os meninos são fundão.
Para os meninos falta;
Saúde, escola, falta o pão.

Para muitos são bandidos.
Os sonhos dos meninos?
Um caderno, um castelo,
Um abraço um coração..

Cheio de amor, cheio de
compreensão, os meninos
São disposição, mas pros
Meninos  o que sobra é..

A camisa 10, titular na
Lojinha da biqueira...
Antes brincavam de
 Estilingue vulgo atiradeira.

Hoje os meninos são
Contadores, não de histórias.
Contam cifras, num sistema;
Neo liberalista, que explicita.

A vida dos meninos,
Como se fossem terroristas.
Mas o terror é ver jovens,
Virando estatísticas numa
Sociedade que insiste colocar...

Neles a culpa, 500 anos
 Passaram, antes os meninos
Eram filhos dos quilombos.
Hoje são crias dos escombros.

Aprendem a caminhar,
Aprendem a atirar mas
Para os meninos aprender
A amar é um contravenção.

Como já disse o poeta
Coração de vagabundo,
Bate na sola do pé os
Meninos aprenderam..

A dar o Pelé, no capitão!
Não o do Mato, sim o da
Rota que ganha medalha,
De honra quando mata...

O menino numa quebrada
qualquer e bate no peito
Dizendo; mais um
Vagabundo, esse foi morar...

No inferno, mas você já
Se perguntou e os de
Gravata e terno? Merecem
Morar aonde? Se os meninos

São realmente o problema,
Cite pra mim pelo menos
Um envolvido em esquema.
De propina ou do mensalão.

Acorda sangue bom, a corda
Tá no pescoço e  os meninos
Roendo o osso na escuridão,
De um calabouço, sombrio.

No brilho da caneta de ouro,
Do político engravatado, vejo
Vários meninos encarcerados.
E você aí apontado o dedo errado.

Se a redução da maioridade,
Penal resolvesse o problema.
Para político, corrupto e safado,
Uma arena de leões famintos..

Daqueles bem bolados, jogaria
Um por um, para sentirem na pele
O que é viver encarcerado vítima
De uma nação de alienados...

Que fecham os olhos para os
Verdadeiros problemas e
 Passam pano para os verdadeiros
 safados.