sexta-feira, 27 de março de 2026

Monique Alves

Como a poesia chegou na sua vida?

 A poesia chegou muito cedo, mas demorou a me pegar. 

Minha vó durante muito tempo escreveu poesias, acrônimos e essas coisas em cadernos e recitava para nós ou dava de presente nas festas de família. 

Minha mãe lia muitos livros de poetas e tinha amigas e amigos poetas, mas aquilo era muito distante de mim. A linguagem não me fazia sentido. 

Então por mais que estivesse na minha vida, ela tava meio distante. Só quando veio a pandemia que eu realmente senti a necessidade de escrever pra organizar meus sentimentos e aí veio o PJMC onde conheci saraus e slams, e realmente comecei a escrever e expor, pois encontrei a literatura periférica, que foi onde me reconheci.

Como você era antes da poesia?

- Acho que sempre fiz poesia, para além dos textos, mas eu guardava demais as minhas emoções e explodia em crises de borderline, tinha muito medo de expor uma série de coisas sobre o que eu pensava e como via o mundo. E por “conhecer” vários poetas, tinha muito medo de expor o que eu escrevia e não ser considerado poesia pois até então eu não conhecia ninguém que fazia poesia com o meu jeito de escrever e sobre o que eu queria escrever.

Quem é você depois da poesia?

- Uma pessoa que entendeu a força das palavras e o quanto é importante expressarmos o que sentimos e como entendemos o mundo e a vida. Hoje eu tenho segurança de expor como me sinto e o que penso, mesmo que isso já tenha sido distorcido e mal interpretado, mas vejo a importância de escrevermos para nos organizarmos mental e emocionalmente, mesmo sem expor. Acho que o palco não é uma necessidade para fazer poesia, tenho zero pretensões de ser artista e entendi que sou poesia pura. Ela escorre por mim e de mim!

Sobre ter fé - 25/07/23.

Me questionaram se eu só sabia escrever sobre putaria e desamor

Mas é que é mais fácil explanar que sou cadela de macho que assumir que viver nem sempre é fácil 

E pode não parecer, mas eu sou tímida. E hoje vou aproveitar que tamo só entre nois pra deixar vocês me conhecerem. 

E nem é sobre me apresentar 

É sobre escancarar

Oi, eu não só me chamo, como sou a Monique. 

De nascença Monique Hellen Alves da Silva. 

Já fui Mick e Demoniaque 

Pra alguns fui Nique 

Sempre fui Mo e isso fazia confusão quando não era eu sendo chamada de amor 

As vezes estou Ana Paula

As vezes estou Monikellen 

Mas tenho gostado e preferido de ser Momo. 

Nasci e cresci dentro de um núcleo onde eu pude exercer a minha liberdade religiosa. 

Cresci falando Nam-Myo-Ho-Ren-Ge-Kyo

E mesmo sem entender 

Fazia meu coração bater. 

Nas férias ouvia os cantos de Jeová mas não sentia meu coração mudar e eu achava estranho aquele núcleo “familiar” 

Onde tudo é proibido e é absurdo questionar 

Mas curtia dormir com a Bíblia embaixo do travesseiro, livro de fantasias cheio de história de analogia! Muito maneiro! 

Parei de crescer e finalmente entendi a filosofia do sutra de lótus, posso dizer mesmo que compreendi, pois despertou conhecimentos apenas adormecidos dentro de mim. 

Achei a Felicidade e a Coragem em Diálogos com a Juventude é só então entendi que aquilo já tava em aqui

Literalmente tatuado

Compreendi a trindade da Fé, Prática e Estudo e a diferença de filosofia e religião 

Entendi o que é multiplicar o pão 

E analogias é só uma tradução pra fazer sentido e conexão 

Compreendi o humanismo por uma era de paz

Compreendi o Karma e que privilégio ter nascido no meio de mulheres com karmas tão fortes que me ajudaram a entender o meu

Conheci meus padrões

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