Como a poesia chegou na sua vida?
A poesia chegou muito cedo, mas demorou a me pegar.
Minha vó durante muito tempo escreveu poesias, acrônimos e essas coisas em cadernos e recitava para nós ou dava de presente nas festas de família.
Minha mãe lia muitos livros de poetas e tinha amigas e amigos poetas, mas aquilo era muito distante de mim. A linguagem não me fazia sentido.
Então por mais que estivesse na minha vida, ela tava meio distante. Só quando veio a pandemia que eu realmente senti a necessidade de escrever pra organizar meus sentimentos e aí veio o PJMC onde conheci saraus e slams, e realmente comecei a escrever e expor, pois encontrei a literatura periférica, que foi onde me reconheci.
Como você era antes da poesia?
- Acho que sempre fiz poesia, para além dos textos, mas eu guardava demais as minhas emoções e explodia em crises de borderline, tinha muito medo de expor uma série de coisas sobre o que eu pensava e como via o mundo. E por “conhecer” vários poetas, tinha muito medo de expor o que eu escrevia e não ser considerado poesia pois até então eu não conhecia ninguém que fazia poesia com o meu jeito de escrever e sobre o que eu queria escrever.
Quem é você depois da poesia?
- Uma pessoa que entendeu a força das palavras e o quanto é importante expressarmos o que sentimos e como entendemos o mundo e a vida. Hoje eu tenho segurança de expor como me sinto e o que penso, mesmo que isso já tenha sido distorcido e mal interpretado, mas vejo a importância de escrevermos para nos organizarmos mental e emocionalmente, mesmo sem expor. Acho que o palco não é uma necessidade para fazer poesia, tenho zero pretensões de ser artista e entendi que sou poesia pura. Ela escorre por mim e de mim!
Sobre ter fé - 25/07/23.
Me questionaram se eu só sabia escrever sobre putaria e desamor
Mas é que é mais fácil explanar que sou cadela de macho que assumir que viver nem sempre é fácil
E pode não parecer, mas eu sou tímida. E hoje vou aproveitar que tamo só entre nois pra deixar vocês me conhecerem.
E nem é sobre me apresentar
É sobre escancarar
Oi, eu não só me chamo, como sou a Monique.
De nascença Monique Hellen Alves da Silva.
Já fui Mick e Demoniaque
Pra alguns fui Nique
Sempre fui Mo e isso fazia confusão quando não era eu sendo chamada de amor
As vezes estou Ana Paula
As vezes estou Monikellen
Mas tenho gostado e preferido de ser Momo.
Nasci e cresci dentro de um núcleo onde eu pude exercer a minha liberdade religiosa.
Cresci falando Nam-Myo-Ho-Ren-Ge-Kyo
E mesmo sem entender
Fazia meu coração bater.
Nas férias ouvia os cantos de Jeová mas não sentia meu coração mudar e eu achava estranho aquele núcleo “familiar”
Onde tudo é proibido e é absurdo questionar
Mas curtia dormir com a Bíblia embaixo do travesseiro, livro de fantasias cheio de história de analogia! Muito maneiro!
Parei de crescer e finalmente entendi a filosofia do sutra de lótus, posso dizer mesmo que compreendi, pois despertou conhecimentos apenas adormecidos dentro de mim.
Achei a Felicidade e a Coragem em Diálogos com a Juventude é só então entendi que aquilo já tava em aqui
Literalmente tatuado
Compreendi a trindade da Fé, Prática e Estudo e a diferença de filosofia e religião
Entendi o que é multiplicar o pão
E analogias é só uma tradução pra fazer sentido e conexão
Compreendi o humanismo por uma era de paz
Compreendi o Karma e que privilégio ter nascido no meio de mulheres com karmas tão fortes que me ajudaram a entender o meu
Conheci meus padrões

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